sábado , 23 junho 2018
Quando o sonho do diploma vira pesadelo
(foto: Kiko Ferrite)

Quando o sonho do diploma vira pesadelo

Bolsas canceladas sem aviso prévio, boletos chegando após o trancamento do curso, assédio de professores, promessas não cumpridas, atraso na entrega de documentos. É até difícil fazer uma lista dos motivos para processar faculdades, e nos últimos anos a quantidade de processos vem aumentando.

Com programas de financiamento privado, bolsas concedidas pelo governo e incentivos ao estudo, o número de alunos em instituições particulares de ensino superior aumentou – segundo os últimos dados disponibilizados pelo governo federal, elas englobam aproximadamente 72% dos estudantes de nível superior, ou seja, 5,3 milhões de alunos.



Quanto mais pessoas, mais problemas.

É o que aponta o advogado Igor Santos “Quanto mais gente utilizando um determinado tipo de serviço, maior vai ser a quantidade de problemas enfrentadas. Se não houver um interesse em sanar o problema, esse número consegue crescer de maneira assustadora. Infelizmente, não temos visto melhora na prestação dos serviços, e processar faculdades está se tornando cada vez mais rotina no escritório”.

Segundo o advogado práticas simples, de rotina poderiam evitar grande parte dos processos: “Hoje quase um terço de nossos clientes no escritório teve problemas que não deveriam nem ter existido caso os funcionários da instituição fossem devidamente treinados e tivessem liberdade para tomar decisões. São pedidos de trancamento protocolados que não são processados pelo sistema, boletos bancários que continuam a ser emitidos após o final do semestre, práticas que não condizem com uma empresa multinacional”.

Quando processar faculdades vira única opção

Veronica processou sua ex-universidade após ter o nome negativado

Veronica processou sua ex-universidade após ter o nome negativado

Se de um lado, são meras rotinas administrativas, para quem sofre com os erros, a situação não é tão simples assim. Veronica Acosta é uma das pessoas que foi obrigada a ingressar na Justiça após ter seu nome negativado no Sistema de Proteção ao Crédito (SPC). Foram várias tentativas de negociação, ligações e reuniões frustradas: “Eu me senti sem chance de ação, a instituição pegou meu nome e pôs no SPC sem avisar sem nada, com sei lá que direito”. A estudante conseguiu reverter a negativação e de quebra ainda conseguiu uma indenização por danos morais, mas afirma: “Hoje a faculdade não me inspira a menor confiança”.

Mariana Moura, por sua vez, processou uma faculdade do mesmo grupo por atraso na entrega da documentação, e apenas após determinação judicial conseguiu o diploma, também acompanhado de indenização por danos morais e multa diária em caso de não entrega. No processo a faculdade alegou em sua defesa “que a pasta acadêmica da estudante estava perdida, razão pela qual o diploma não foi expedido”.


Os problemas causados não são apenas financeiros

Stephanye precisou ingressar com um processo administrativo contra um professor

Stephanye precisou ingressar com um processo administrativo contra um professor

Porém não são apenas as instituições privadas que sofrem processos. A estudante Stephanye Almeida, de uma universidade federal, precisou de interferência externa para solucionar seu problema, mas dessa vez, por um procedimento administrativo, ao enfrentar problemas com um professor: “Até hoje, indo pra faculdade, eu lembro de toda humilhação, então é um trauma que eu tenho que passar, que foi totalmente desnecessário. Perdi as contas de quantas vezes abria o sistema de notas e chorava”. Pelo menos mais uma garota também passou por essa situação com o mesmo professor, mas abandonou a faculdade e mudou de cidade.

Independente do caso, a sugestão do advogado Igor Santos é simples “busque conselho de um advogado. Muitas propostas feitas por faculdades são extremamente prejudiciais ao estudante, principalmente àquele que pretende cancelar o seu contrato, e na vontade de se livrar de um problema, acaba-se construindo um novo”.

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